Essa, Come calling, é do álbum Lay it Down. Bom do início ao fim.
Por onde andará Guilherme Lamounier? Sabe aqueles comerciais de margarina em que rola um baratão com toda a família? Dia de sol, manhã feliz. Todo dia parece final de semana.
Uma banda, um trio sem guitarra. No seu lugar, um saxofone. O vocalista empunhando um baixo com duas cordas. Morphine podia ser bem fraco ou podia ser genial. Ficou com a segunda opção. Mark Sandman morreu no palco, de um ataque fulminante. Feito essa balada, "The saddest song", pra mim, uma das melhores.
Eu ando pensando em comer menos carne.
Pois é. Essa música questiona conceitos. Questiona o questionar.
Sonzaço do Marcos Valle, época em que ele estava numa onda riponga total. Pelo que eu já li, esse disco, Vento Sul, ele gravou no mato, na praia, acampado, enfim, gravou depois de sair da cidade. Talvez, por isso, esses questionamentos. Fora a mensagem, o som é sensacional. Com aquelas melodias que variam do melancólico ao celestial. Fino.
Eu nunca gostei de Pink Floyd. Não tenho nada contra. Acho sem graça mesmo. Mas, olha como são as coisas, uma das música deles é ótima. Descobri isso com a versão do The Bad Plus - trio que faz versões de rock e pop em formato jazz - para Comfortably Numb. Reparem que o piano fica repetindo uma linha até o final de um jeito que deixa a gente meio entorpecido (!). Muito bom.
Hanne Hukkelberg é a cantora do ano. Não, não teve nenhuma votação da MTV ou de nenhuma revistinha. Passou longe. É a cantora do ano pra mim. Na verdade o disco que conheci primeiro e embasbaquei foi lançado ano passado. Mas tudo bem. Continua sendo a cantora do ano. Hanne é norueguesa, nascida em 79. O primeiro disco lançou em 2005. Não é nenhuma paraquedista no mundo da música. Começou a estudar ainda criança, tem formação e tudo. Mas acima disso, faz música de primeira.
O disco em questão é "Blood from a stone". Quando você começa a ouvir uma das músicas, pode até achar que será comum. Alguma coisa meio "indie", "alternativa". Mais do mesmo. Mas não é. Tá bem longe de qualquer mediocridade indie. Principalmente por conta das melodias vocais elaboradas por Hanne. Quase todas as canções seguem em um crescente, com os arranjos evoluindo na medida em que os instrumentos aparecem. As músicas são climáticas, aéreas. E nada me tira da cabeça de que a informação "artista norueguesa" seja realmente significativa quanto à tradução da musicalidade de Hanne. Nenhuma cantora brasileira ou dos trópicos faria aquilo com propriedade. Por que cantora do ano? Porque Hanne tem uma voz sensacional e usa com maestria. Ah, ainda compõe, toca guitarra, baixo, piano, bateria e uma outra porção de instrumentos. Música de verdade.
Abaixo uma amostra do "Blood from a stone", a música é "Seventeen".
Mark Lanegan era vocalista do Screaming Trees. Gosto da banda, mas confesso que a carreira solo do cantor é bem mais interessante. O primeiro disco solo dele que ouvi foi "Whiskey for the holy ghost", de 94. Peguei o cd emprestado de um amigo que havia pegado emprestado de um amigo. Eu demorei bastante pra entregar. Aliás, não entreguei. Em uma visita esse meu amigo veio em minha casa e levou o cd. Acho que até hoje ele ainda não devolveu o cd ao outro amigo. O disco é muito bom. Violões de corda de aço, algumas guitarras, tudo fazendo a base pra voz rouca de Mark Lanegan - que às vezes me lembra o Tom Waits. Volta e meia eu vicio no disco de novo. Todas as músicas são boas. Separei uma aqui. O motivo é que essa não sai da cabeça. Essa música destoa um pouco das outras, é mais "rock". Mas o som emoldura perfeitamente o clima denso e ébrio da letra. Chama-se "Borracho" e tem uma parte marcante que diz:
Lá por volta de 1992 quando eu presenciava aquela história toda na música que chamaram de "grunge", um disco caiu em minhas mãos. Era "Revolver" do Walter Franco. Parece o nome do disco dos Beatles, mas é em português mesmo, e por que não? Logo de cara, a primeira música era cortante. Tudo nela era cortante. É a melhor definição que encontro. "Feito gente", diz Walter Franco antes de começar a música. Depois, a batida marcante precede um solo ríspido de guitarra. Ali eu já alargava minha medíocre noção de música, que naquele momento era absorver o que vinha de Seatle. Um corte. Em 1992, com 15 anos, eu ouvi uma música de um disco brasileiro de 1975 e fiquei embasbacado. Os acordes, os solos distorcidos, o clima sombrio. Tudo do grunge estava ali. Tudo volta, não é? Não que eu nunca tivesse ouvido nada mais velho. Mas certamente não imaginava que pudesse existir aquilo. Foi uma atualização de passado. Revolvendo. "Feito gente", pra mim, é o maior acerto de Walter Franco. E olha que ele tentava, arriscava muito.
Cortante é o jeito que ele canta os versos cortantes dessa música: Fui a faca e a ferida. Eu te amei como pude. Feito bicho que se espanta. Eu te amei como pude.
Walter Franco quase rasga a garganta pra cantar.
Em determinado momento, você percebe o andamendo da música alterar. Os instrumentos aceleram, o violão com as cordas de aço puxa todos os outros. Parece que vão disparar. Mas não. Param. A melodia volta, revolta. Os instrumentos juntos.
Essa música é antológica. É melhor ouvir.